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domingo, 27 de maio de 2012

KAOS:Espiões coscuvilheiros


«Num email enviado de Silva Carvalho para Paulo Félix (à data funcionário da Ongoing e ex-PJ), a 4 de Setembro de 2011, Francisco Pinto Balsemão, presidente da Impresa, aparece com um nome de código: Balsinhas. Nele, Silva Carvalho pede que vejam “em fontes abertas” tudo o que há “sobre o Balsinhas”, em particular sobre os empréstimos que tinha, em que bancos, quando venciam.
Silva Carvalho argumenta que essa informação interessava à estrutura financeira e económica da Ongoing. Tempos depois, recebe um relatório detalhado de 31 páginas sobre Balsemão, que incluía uma cronologia com dados importantes da sua biografia, uma colectânea de recortes de jornais, listas de amigos, inimigos e aliados e até considerações sobre a sua performance sexual.

O CASO DO RELVAS E O CASAL SILVA EM SINGAPURA

O sr. Silva a passear pelo Sudeste Asiático e terminou, depois de visitar Timor-Leste, Indonésia, Austrália, em Singapura. Na cidade nação, num discurso, voltou a pedir, encarecidamente, como um pobre de pedir, para que empresários, do progressivo país, comprassem a TAP e a ANA. Um remendo mal deitado do Silva que para cobrir a "passeata", de 10 dias, vender Portugal.
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Miguel Relvas está disponível para voltar ao Parlamento e dar mais esclarecimentos sobre as ligações a Silva Carvalho

Daniela Santiago

O Ministro aceita ir de novo à Comissão para fazer algumas precisões sobre o caso das secretas. Em Singapura, Cavaco Silva diz estar atento ao assunto.

OPINIÃO DE PAULO BALDAIA



Não vale a pena esconder a cabeça na areia. O Governo vive o momento político mais difícil desde que nasceu e isso deve-se ao caso Miguel Relvas. As notícias saem a uma velocidade de auto-estrada, com duas vias no mesmo sentido, no sentido de comprometer o ministro mais poderoso do Executivo. Os dados do telemóvel, da agenda e do computador de Silva Carvalho servem para demonstrar a tese de que o ex-espião actuava à margem da lei e servem agora também para acusar Relvas de ter ligações perigosas.
Paulo Baldaia Diário de Notícias

KAOS:Economia de cartomante

O Presidente da República, Cavaco Silva, disse hoje que calcula que a recessão em Portugal possa ficar entre os 2,5 e os 3%, previsões mais optimistas que a de instituições internacionais e, no limiar inferior, do próprio Governo.
Este outro dia já previa que o crescimento fosse já para o fim do ano e agora já calcula que calcula que a recessão em Portugal possa ficar entre os 2,5 e os 3%, Em que números se baseia para fazer as previsões que anuncia dão certo?
Tanto que se falou da importância de que ocupasse o cargo de Presidente da Republica pelos seus conhecimentos podia dar ao governo.
Pessoalmente parece-me que afinal melhor teria sido eleger uma qualquer cartomante que muito certamente acertaria mais naquilo que diz que o Sr. Silva.

"um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas"


DO MELHOR QUE SE TEM ESCRITO NOS ÚLTIMOS TEMPOS - EM ESTILO OITOCENTISTA -SOBRE FACTOS OCORRIDOS EM “PORTUGAL” NOS SÉCULOS XX e XXI.
NEM ALMEIDA GARRET SERIA TÃO ASSERTIVO!


Carta Aberta ao venerando chefe do estado a que isto chegou
Senhor Presidente, Há muito, muito tempo, nos dias depois que Abril floriu e a Europa se abriu de par em par, foi V.Exa por mandato popular encarregue de nos fazer fruir dessa Europa do Mercado Comum, clube dos ricos a que iludidos aderimos, fiados no dinheiro fácil do FEDER, do FEOGA, das ajudas de coesão (FUNDO DE COESÃO) e demais liberalidades que, pouco acostumados,  aceitámos de olhar reluzente, estranhando como fácil e rápido era passar de rincão estagnado e órfão do Império para a mesa dos poderosos que, qual varinha mágica, nos multiplicariam as estradas, aumentariam os direitos, facilitariam o crédito e conduziriam ao Olimpo até aí inatingível do mundo desenvolvido.
 
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Havia pequenos senãos, arrancar  vinhas, abater barcos, não empatar quem produzisse tomate em Itália ou conservas em Marrocos, coisa pouca e necessária por via da previdente PAC, mas, estando o cheque passado e com cobertura, de inauguração em inauguração, o país antes incrédulo, crescia, dava formação a jovens, animava a construção civil , os resorts de Punta Cana e os  veículos topo de gama do momento.
 
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Do alto do púlpito que fora do velho Botas, V.Exa passaria à História como o Modernizador, campeão do empreendedorismo, símbolo da devoção à causa pública, estóico servidor do povo a partir da marquise esconsa da casa da Rua do Possôlo. Era o aplicado aluno de Bruxelas, o exemplo a seguir no Mediterrâneo, o desbravador do progresso, com o mapa de estradas do ACP permanentemente desactualizado.
 
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O tecido empresarial crescia, com pés de barro e frágeis sapatas, mas que interessava, havia  pão e circo, CCB e Expo, pontes e viadutos, Fundo Social Europeu e tudo o que mais se quisesse imaginar, à sombra de  bafejados oásis  de leite e mel,  Continentes e Amoreiras, e mais catedrais escancaradas com um simples cartão Visa.
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Ao fim de dez anos, um pouco mais que o Criador ao fim de sete, vendo a Obra pronta, V.Exa descansou, e retirou-se. Tentou Belém, mas ingrato, o povo condenou-o a anos no deserto, enquanto aprendizes prosseguiam a sanha fontista e inebriante erguida atrás dos cantos de sereia, apelando ao esbanjamento e luxúria.
 
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No início do novo século, preocupantes sinais do Purgatório indicaram fragilidades na Obra, mas  jorrando fundos e verbas, coisa de temerários do Restelo  se lhe chamou. À porta estava o novo bezerro de ouro, o euro, a moeda dos fortes, e fortes agora com ela seguiríamos, poderosos, iguais.
 
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Do retiro tranquilo, à sombra da modesta reforma de servidor do Estado, livros e loas  emulando as virtudes do novo filão foram por V.Exa endossados , qual pitonisa dos futuros que cantam, sob o euro sem nódoa, moeda de fortes e milagreiro caminho para o glorioso domínio da Europa.
 
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Migalha a migalha, bitaite a bitaite, foi V.Exa pacientemente cozendo o seu novelo, até que, uma bela manhã de nevoeiro, do púlpito do CCB, filho da dilecta obra, anunciou aos atarantados povos estar de volta, pronto a servir.
Não que as gentes o merecessem, mas o país reclamava seriedade, contenção, morgados do Algarve em vez de ostras socialistas.
 
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Seria o supremo trono agora, com os guisados da Maria e o apoio de esforçados amigos que, fruto de muito suor e trabalho, haviam vingado no exigente mundo dos negócios, em prol do progresso e do desenvolvimento do país.
 
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Salivando o povo à passagem do Mestre, regressado dos mortos, sem escolhos o conduziram a Belém, onde petiscando umas pataniscas e bolo-rei sem fava, presidiria, qual reitor, às traquinices  dos pupilos, por veladas e paternais  palavras ameaçando reguadas ou castigos contra a parede.
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E não contentes, o repetiram segunda vez, e V. Exa, com pungente sacrifício lá continuou aquilíneo cônsul da república, perorando homilias nos dias da pátria e avisando ameaçador contra os perigos e tormentas que os irrequietos alunos não logravam conter.
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Que  preciso era voltar à terra e ao arado, à faina e à vindima, vaticinou V.Exa, coveiro das hortas e traineiras; que chegava de obras faraónicas, alertou, qual faraó de Boliqueime e campeão do betão;  que chegava de sacrifícios, estando uns ao leme, para logo aconselhar conformismo e paciência mal mudou o piloto.
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Eremita das fragas, paroquial chefe de família, personagem de Camilo e Agustina, desprezando os políticos profissionais mas esquecendo que por junto é o profissional da política há mais anos no poder, preside hoje V.Exa ao país ingrato que, em vinte anos, qual bruxedo ou mau olhado, lhe destruiu a obra feita, como vil criatura que desperta do covil se virou contra o criador, hoje apenas pálida esfinge, arrastando-se entre a solidão de Belém e prosaicas cerimónias com bombeiros e ranchos.
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Trinta anos, leva em cena a peça de V.Exa no palco da política, com grandes enchentes no início e grupos arregimentados e idosos na actualidade.
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Mas, chegando ao fim o terceiro acto, longe da epopeia em que o Bem vence o Mal e todos ficam felizes para sempre, tema V.Exa pelo juízo da História, que, caridosa, talvez em duas linhas de rodapé recorde um fugaz Aníbal, amante de bolo-rei e desconhecedor dos Lusíadas, que durante uns anos pairou como Midas multiplicador e hoje mais não é que um aflito Hamlet nas muralhas de Elsinore, transformado que foi o ouro do bezerro em serradura e  sobrevivendo pusilâmine como cinzento Chefe do estado a que isto chegou, não obstante a convicção, que acredito tenha, de ter feito o seu melhor.
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Respeitoso e Suburbano,  devidamente autorizado pela Sacrossanta Troika,

António Maria dos Santos 
Sobrevivente (ainda) do Cataclismo de 2011 

"Os políticos e as fraldas devem ser mudados frequentemente.
E pela mesma razão."
  EÇA DE QUEIROZ