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terça-feira, 23 de outubro de 2012

Vale a pena reler esta intervenção de Carlos Carvalhas em 1997. O homem até parece bruxo!!!



Em 1997 (há 15 anos) Carlos Carvalhas, Secretário-geral do PCP, na Interpelação do PCP sobre a Moeda Única, falava assim:
«A moeda única é um projecto ao serviço de um directório de grandes potências e de consolidação do poder das grandes transnacionais, na guerra com as transnacionais e as economias americanas e asiáticas, por uma nova divisão internacional do trabalho e pela partilha dos mercados mundiais.
 
A moeda única é um projecto político que conduzirá a choques e a pressões a favor da construção de uma Europa federal, ao congelamento de salários, à liquidação de direitos, ao desmantelamento da segurança social e à desresponsabilização crescente das funções sociais do Estado.»

Em 1997 já tinha razão, só que nessa altura lhe chamaram radical, sectário...
 
E agora, pá!

OS INJUSTIÇADOS TRABALHADORES PARA A DIPLOMACIA PORTUGUESA



CARTA ABERTA
Aos Órgãos de Soberania
Os 1600 trabalhadores dos serviços periféricos externos do Ministério dos Negócios Estrangeiros (em serviço nas missões diplomáticas, representações permanentes ou temporárias, postos consulares) e dos centros culturais, presentes em 66 países, têm vindo a ser alvo, sem qualquer consideração pela sua situação específica, de medidas de redução salarial e de sobrecarga tributária em termos absolutamente incompatíveis com a realidade da sua vida no estrangeiro, sendo, por força da conjugação destas medidas, atirados para uma insustentável precariedade financeira.
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Ao longo destes anos, têm-se vindo a ampliar situações de carência entre estes trabalhadores, de penhora de bens, de perda de habitação até. Muitos deles esgotam a sua remuneração no pagamento da habitação, água e electricidade, e pouco lhes resta para alimentação. Questões básicas como a saúde e a educação passaram para muitos a ser um luxo.
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E devem responder, eles próprios, no âmbito da sua actividade profissional, ao crescente aumento de pedidos de apoio e auxílio, provocados pelos fluxos migratórios de massa entretanto verificados, faltando-lhes condições pessoais estabilizadoras para responder positivamente no exercício das suas funções
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Tudo isto num contexto em que se vivem, nos serviços periféricos externos do MNE, situações de falta de meios técnicos e humanos, agudizando-se a escassez e mesmo a ausência de meios públicos, para intervir de forma adequada à emergência sentida e vivida.
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O aumento do risco de pobreza entre os trabalhadores está directamente relacionado com as sucessivas medidas que os têm progressivamente levado ao empobrecimento. Ora veja-se:
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- a sobre-tributação que lhes é aplicada, pagando IRS como se estivessem a residir e trabalhar em Portugal, ignorando completamente o facto de um elevado número estar em países de mais elevado padrão de vida, chegando ao cúmulo de trabalhadores auferirem remunerações inferiores ao salário mínimo local e pagarem IRS do nível classe média alta em Portugal!
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- a ausência de actualizações salariais desde 2009;
- a acentuada desvalorização dos salários em moeda local em mais de 20 países, por força da desvalorização do euro associada à revalorização de outras divisas, questão à qual nunca foi dada a resposta política adequada;
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- a redução salarial 2011 - que tinha como pressuposto político não atingir rendimentos inferiores a 3 vezes o salário mínimo português - que, em muitos países, corresponde entre 1/5 e 1/3 do salário mínimo local, conduzindo a penalizações salariais incongruentes com a realidade retributiva nestes países, sobrecarregando ainda mais estes trabalhadores.
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- Corte dos 13.º e 14.º meses em 2012, um dos quais o governo propõe manter em 2013, distribuindo o outro por duodécimos, que desaparecerá pela via fiscal.
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O efeito acumulado destas medidas representa, entre 2009 e 2012 e em muitos casos, perda de cerca de 50 % do salário nominal! Como podem os responsáveis governamentais manifestar tamanha insensibilidade perante cenário tão caótico? Não bastam palavras mansas de compreensão, a situação sofrida pelos trabalhadores já não se compatibiliza com declarações de intenções. E poupem-nos a hipocrisia seráfica de quem informa que estes trabalhadores podem exercer uma segunda actividade! Importa repor justiça e equidade no seio destes trabalhadores, por forma a não serem mais prejudicados do que os seus colegas em território nacional.
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A brutalidade e a insensibilidade que têm sido constantes no tratamento deste problema, a ideia que estes trabalhadores ganham mais do que os seus congéneres em Portugal (omitindo deliberadamente a comparação com os salários médios nos países de exercício de funções),  atentam à dignidade destes trabalhadores assim como das funções que exercem. Um dos efeitos perversos deste estado de coisas é o abandono dos postos de trabalho por via de demissão de trabalhadores experientes por razões de simples sobrevivência. 
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E nada do que se prepara na próxima execução orçamental conduz ao optimismo. Que fazer? Como fazer ouvir a voz de quem está no estrangeiro ao serviço do Estado Português? Não é possível deixar sem resposta quem está na primeira linha ao serviço das representações de Portugal no estrangeiro, deixando crescer entre estes trabalhadores as situações de pobreza, discriminando-os injustamente, tributando-os de modo exorbitante à luz da realidade local, tratando-os brutalmente e de forma discriminatória, contrária a qualquer noção de justiça e de igualdade de tratamento.
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O STCDE apela a que os representantes políticos nos Órgãos de Soberania  tomem consciência da exclusão social a que gradualmente estes trabalhadores têm sido votados e manifestem a sua solidariedade através de um forte sinal de reconhecimento ao seu trabalho, dedicação e empenho, salvaguardando, no âmbito da discussão do Orçamento de Estado para 2013, a especificidade da sua existência no estrangeiro, e a necessária resposta às situações mais gritantes que atingem os trabalhadores do Estado no estrangeiro.
A Comissão Executiva
Lisboa, aos 19 de Outubro de 2012

O Povo é sereno....até quando ?



 

QUE FALTA DE VERGONHA, dos senhores DEPUTADOS !.
O QUE É QUE ESTA CAMBADA PENSA QUE É? QUE MENTALIDADE, QUE FALTA DE SENTIDO CÍVICO E DE RESPEITO PELO ERÁRIO PUBLICO E POR QUEM FAZ SACRIFÍCIOS SOBREHUMANOS PARA PAGAR IMPOSTOS, DERRETIDOS DE QUALQUER MANEIRA POR ESTA ESCUMALHA.

COMO ELES. OS DEPUTADOS QUE NÓS TEMOS, GASTAM O NOSSO DINHEIRO.

AO SERVIÇO DA DEMOCRACIA OU, SEM PUDOR NEM VERGONHA, ALTEANDO-SE, EM JEITO ARISTOCRÁTICO, POR SOBRE A MULTIDÃO DOS PLEBEUS QUE SOMOS NÓS, OS CONTRIBUINTES.


O Povo é sereno....mas isto ainda acaba mal !

Dá vontade de chorar.

Se já são questionáveis muitas das rubricas que constam do Orçamento, fico perplexo com as duas últimas.

Então ando eu a descontar para o Grupo Desportivo Parlamentar?

E a que propósito tem o contribuinte que pagar para a Associação dos Ex-Deputados?

E depois dizem-me que tenho que fazer sacrifícios.

Ora bolas para esta cambada


 MURAL DOS TRAIDORES https://www.facebook.com/pages/MURAL-DOS-TRAIDORES/269518489752581?ref=stream

Resolução da Assembleia da República n.º 131/2011
Orçamento da Assembleia da República para 2012
- 01.01.05b Pessoal além dos Quadros - GP´s: Sub.Férias e Natal 3 - 890.300,00
- 01.01.10 Gratificações 7 - 500,00
- 01.01.14 Subsídios de férias e de Natal (SAR) 11 - 2.093.650,00
- 02.01.07 Vestuário e artigos pessoais 37 - 84.350,00
- 02.01.15 Prémios, condecorações e ofertas 45 - 102.910,00
- 02.01.19 Artigos honoríficos e de decoração 50 - 39.165,00
- 02.01.21b Outros bens 52 - 213.464,00
- 02.02.02 Limpeza e higiene 56 - 730.000,00
- 02.02.10a Transportes: Deputados 63 - 3.161.243,00
- 02.02.13 Deslocações e Estadas 1.520.063,00
- 02.02.22 Serviços Médicos 78 - 28.200,00
- 04.01.02a Grupo Desportivo Parlamentar 81 - 15.210,00
- 04.01.02b Associação dos Ex-Deputados 82 - 42.522,00



A LUTA DOS TRABALHADORES CONSULARES


O povo estúpido continua a votar em bandidos e depois queixam-se.... Não entendo.....



MANIFESTO DO PAI DE RICARDO ARAÚJO PEREIRA

APOIADO. VISTO QUE NOS TIRAM TODOS OS DIREITOS, TUDO ATE FICAR DE TANGA SO NOS RESTA A PARTIR DE AGORA O NOSSO MUTISMO, O NOSSO SILENCIO, A

NOSSA FALTA DE APOIO QD ESTA GENTINHA NOS VIER PEDIR O    "NOSSO VOTO"
Manifesto assinado por Álvaro Pereira (pai do Ricardo Araújo Pereira). Vale a pena ler

Não sou Funcionário Público, mas o Estado trata-me como se eu o fosse, enquanto REFORMADO.

Dizem que os Reformados não têm poder de contestação, que de nada lhes serve tomar uma atitude contestatária (uma GREVE deles é inconsequente por não afectar nada nem ninguém).

Eu não estou de acordo! E como tal, decidi tomar uma posição que traduzo no seguinte: MANIFESTO
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Considerando:
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1. Que me foram retirados o 13º e 14º mês até 2018;
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2. Que me reduziram a Reforma para a qual fiz descontos milionários durante uma vida de trabalho;
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3. Que me foram aumentados os descontos para o
IRS, o IMI, no Consumo de Electricidade, da Água e do Gás, para a “Compensação aos Operadores” respectivos (EDP, Tejo Energia e Turbo Gás), nos Combustíveis, para o Investimento das Energias Renováveis, para os custos da Autoridade da Concorrência e da ERSE, na Alimentação, na taxa de Esgotos, para a Utilização do Subsolo, para a Rádio, para a Televisão, para a TNT, para a Harmonização Tarifária dos Açores e Madeira, Rendas de Passagem pelas Autarquias e Munícipes, para o
auxílio social aos calões que recebem indevida e impunemente o RSI (Rendimento para a Inserção Social), para pagamento dos cartões de crédito de políticos, para as portagens nas SCUTS e aumento nas auto-estradas, para a recuperação de BPNs, para que os Dias Loureiros, os Duartes Limas, os Isaltinos de Morais e quejandos depositem as minhas economias em nome deles em offshores, para as novas taxas de Apoio Social, para as remodeladas Taxas de Urgência nos Hospitais Civis, para as asneiras provocadas pelas ideias megalómanas de políticos incompetentes que criaram auto-estradas sem trânsito, para as Contrapartidas e Compensações a Concessionários de diferentes estruturas, para pagamento das dívidas às Parcerias Público-Privadas durante 50 anos ou mais, etc., etc., etc., tudo recheado com 23% de IVA (por enquanto);
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4. Que, cada voto que um cidadão deposita na urna eleitoral, para além de pôr no poleiro os espertalhões que os (se) governam, representa um óbolo igual a 1/135 do salário mínimo nacional (actualmente em €485,00) a reverter para os seus cofres (1 voto = €3,60), a que acrescem as subvenções às campanhas e verbas para os grupos parlamentares. (Lei do Financiamento dos Partidos Políticos e das Campanhas Eleitorais: Lei n.º 19/2003, de 20 de Junho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-lei n.º 287/2003, de 12 de Novembro (Declaração de Rectificação n.º 4/2004, de 9 de Janeiro), Lei n.º
64
A/2008, de 31 de Dezembro1 e Lei n.º 55/2010, de 24 de Dezembro).
5. Que esse valor é atribuído pelos quatro anos de legislatura, o que significa entregar aos partidos votados o quadruplo dessa importância (€14,40), atingindo uma despesa superior a 70 milhões de euros; Fonte: http://www.dn.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1231653&page=-1;

6. Que, no caso dos votos em branco ou nulos, essa valia é distribuída por todos os partidos concorrentes às eleições;

7. E que, se eu me abstiver de votar, não há montante a ser distribuído pelos partidos concorrentes às eleições,
Eu, ARTUR ÁLVARO NEVES DE ALMEIDA PEREIRA, cidadão de pleno direito, com o BI 1158208 e o NIF 121934322, com todos os impostos pagos e ainda credor do Estado por taxação indevida e não devolvida em sede de IRS, embora prescindindo de uma liberdade coarctada durante quase 40 anos e restituída em 25 de Abril de 1974, decido que, dependendo do cenário político-económico, meu e do meu país, entrarei em

GREVE DE ELEITORADO, e SUSPENDO O MEU DIREITO DE VOTO ATÉ 2018!

A MORTE DE UM GRANDE PORTUGUÊS



FALECEU O DR. MANUEL LUCIANO DA SILVA



Repassando mensagem da mesma como a recebi hoje do bom amigo, de longa data, Adalino Cabral

FALECEU O DR. MANUEL LUCIANO DA SILVA [ M e'd i c o , de Rhode Island, U. S.A.]

O PAÍS ACABA DE PERDER UM DOS MAIS ILUSTRES PORTUGUESES DA SUA HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA

FALECEU O DR. MANUEL LUCIANO DA SILVA...
 
Vítima inesperadamente de um colapso cardíaco, deixou-nos ontem, para surpresa e consternação de todos quantos tiveram o privilégio de o conhecer.

O Dr. Manuel Luciano da Silva foi um ilustre Português com 86 anos, médico de grande prestígio formado com distinção pela Universidade de Coimbra em 1957, que dedicou a sua vida à investigação, à Medicina, à História, mas, sobretudo, à divulgação da IMPORTÂNCIA DOS PORTUGUESES NA HISTÓRIA DA HUMANIDADE.

Como investigador e historiador deixa vasta obra publicada e foi o descobridor das primeiras provas documentais encontradas sobre a nacionalidade portuguesa de Cristóvão Colon, na Biblioteca do Vaticano.

Foi condecorado com o grau de Oficial da Ordem do Infante D. Henrique em 1968 e com o Grau de Comendador da Ordem de Mérito em 2011.

Residente nos Estados Unidos, onde liderou inúmeras instituições ligadas a Portugal, foi o único emigrante português que em vida teve um Museu com o seu nome e uma Associação Cultural com Estatuto de Utilidade Pública em território nacional.

Nascido em Cavião, Vale de Cambra, nunca abandonou a nacionalidade de origem e foi motor de construção do "Museu da Pedra de Dighton", em Massachusetts, dedicado às explorações e descobertas lusitanas nos séculos XV e XVI e que comprovam terem sido os portugueses os primeiros europeus a colonizar o continente americano.

Manteve durante mais de 30 anos programas semanais regulares em canais de Rádio e Televisão de língua portuguesa nos Estados Unidos.

Dava até agora quinzenalmente Consultas Médicas por videoconferência para as populações do seu Concelho de origem em Portugal e contribuiu com aconselhamento médico em direto para o serviço público de televisão (
RTP) e para o canal privado SIC.

Alguns dos seus livros, nomeadamente sobre a Pedra de Dighton e sobre Cristóvão Colon, bem como o conhecido trabalho na área da medicina "A Electricidade do Amor", todos publicados tanto em português como inglês, esgotaram várias edições.

O cineasta português Manoel de Oliveira realizou um filme sobre a sua vida e obra, premiado na Bienal de Veneza em 2008.

As cerimónias fúnebres terão lugar na quinta-feira 25 de outubro, pelas 11:00 (16:00 em Portugal), na Igreja de Saint Elizabeth, na cidade de Bristol, Estados Unidos, onde vivia.

Entre nós, será celebrada uma Missa em sua honra às 19:00 de sexta-feira dia 26 de outubro, na Igreja de S. Pedro de Castelões, concelho de Vale de Cambra, a que pertence a aldeia de Cavião, onde nasceu há 86 anos.

Que a sua alma repouse eternamente em paz!

Associação Dr. Manuel Luciano da Silva | www.lucianodasilva.com | info@lucianodasilva.com info@lucianodasilva.com
>  | www.dightonrock.com

INSTITUIÇÃO CULTURAL SEM FINS LUCRATIVOS E ESTATUTO DE UTILIDADE PÚBLICA (Declaração 47/2005, DR45-II Série,4.3.2005) 
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À MARGEM: Quando criei o website  
www.aquimaria.com 
em 1998 chegou ao conhecimento do Dr. Luciano da Silva, chegamos a travar correspondência. Um português de uma alma enorme!

O PERFIL DE UM DOS "CABRÕES" QUE LIXARAM A NOSSA VIDA

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VIVE no ESTORIL NUMA DAS CASAS QUE ERA DO EMPRESÁRIO JORGE DE MELLO (na Quinta Patino) e, ao que alegadamente se consta, é também proprietário de mais um lote anexo (tudo em nome de Sociedades Offshore).
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Como vêem é fácil fazer esquecer um roubo superior a mais de 5 mil milhões de euros, quando se tem amigos...por todo o lado...


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Vá passando para os esquecidos
se irem lembrando
!...


E MAIS SOBRE O ARTISTA - OS GRANDES FILHOS DE PUTAS DA TERRA LUSA


Dias Loureiro na Revista Visão

Não é uma entrevista, mas mais uma narrativa sobre o perfil politico e não só de Dias Loureiro. O texto é longo, mas vale a pena lerem até ao fim. Garanto que não ficarão desiludidos.
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No texto todo surpreende-me mais os conhecimentos pessoais e o verdadeiro tráfico de influências e poder e a forma como dissimuladamente esse poder passa da teoria à prática. Acredito que apesar deste texto ser sobre Dias Loureiro, podíamos ter no título do mesmo um qualquer outro nome da nossa vida politica do pós 25 de Abril..

Perfil
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Anatomia de um intocável
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A história de Dias Loureiro é um puzzle que ajuda a explicar muito do que tem sido Portugal desde 1985, data da sua ascensão ao poder. Um homem com um percurso de luzes e sombras, que se confunde, por vezes, com as zonas cinzentas de um regime


É uma das figuras mais poderosas do País. Mas sempre disse não ser um homem «do poder político». Fez fortuna de quase nada e até além-fronteiras lhe dão tratamento VIP. Priva com Clinton, Aznar, Durão Barroso e outros dos homens mais poderosos do planeta, alguns com actividades e práticas bastante controversas. 
Apanhado pelos estilhaços do «caso BPN», tem-se defendido nos fóruns que lhe foram postos à disposição, reafirmando inocência e comportamento acima de qualquer suspeita. À VISÃO, recusou prestar declarações por considerar «encerrado» o capítulo das entrevistas e esclarecimentos e estar «cansado de dizer uma coisa e sair outra». Agora, adiantou, só falará «noutras instâncias». Mas quem é, afinal, Manuel Dias Loureiro e como personifica, para o bem e para o mal, os poderes reais e paralelos do nosso país?

Quando eu era pequenino…

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Dias Loureiro é natural de Aguiar da Beira, terra pequena, pobre e rural, com um castelo altaneiro, onde nasceu, a 18 de Dezembro de 1951. Os pais eram comerciantes (a mãe tinha alguns estudos, mas o pai completou apenas a quarta classe) e vendiam de tudo um pouco, desde tecidos a materiais de construção, incluindo artigos de mercearia. Tinha sete irmãos. Em pequeno, gostava de comer batatas fritas em azeite, ovos estrelados e pastéis de massa tenra. 

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Aos 9 anos, foi fazer a 4.ª classe num colégio interno em Lamego – não muito longe de casa, mas o suficiente para só ver a família nas férias de Natal, Páscoa e Verão. Ali, os hábitos eram muito rígidos: os alunos levantavam-se às 6 da manhã e havia regras para tudo e hierarquias bem definidas. Nas férias, quando regressava à terra, ajudava os pais e os irmãos no pequeno comércio, todos os dias, incluindo aos domingos.
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Seguiu-se uma passagem de dois anos pelo seminário de S. José, em Fornos de Algodres, não porque, segundo diz, quisesse ser padre, mas porque assim tinha uma oportunidade para estudar.
A mãe, contudo, ainda hoje está convencida de que ele queria mesmo seguir o sacerdócio, pois, nas suas brincadeiras de criança, «vestia uma saia branca da avó ou enrolava um pano branco à volta do corpo e depois dizia homílias». 

Passou ainda pelos colégios de Mangualde e de Tondela, antes de ir para Coimbra, tirar Direito. Por esta altura já não tinha dúvidas de que queria ser advogado para «não ter patrões» e manter a sua independência. A militância na Juventude Universitária Católica foi coisa normal para quem vinha de um meio católico. As leituras de Faulkner e de Open Society, de Karl Popper, viriam, depois, a ter grande influência nas suas ideias e opções.

Coimbra tem mais encanto…

Foi na hora da despedida que Coimbra teve mais encanto para Dias Loureiro. Desde a ida ao congresso da Figueira para apoiar Cavaco, em 1985, foi sempre a subir. Até aí, porém, tinha vivido tempos difíceis. Pouco depois de chegar à cidade, morreu-lhe o pai, com um cancro, em apenas três meses.
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E perderia o irmão e um tio, quase de seguida. Tempos de algum aperto financeiro também. «Na altura, alguns de nós já tinham carro, mas ele vinha todos os fins-de-semana de Aguiar da Beira sempre de camioneta e vestido de forma muito simples, com umas samarras muito coçadas. 
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Via-se que não tinha muito dinheiro», descreve um colega de curso. Pouco tempo depois de se ter formado em Direito, as idas a casa, no final da semana, começaram a escassear. Recordam-se dele como um estagiário de advocacia que arrebanhava as defesas oficiosas que pudesse, a fim de equilibrar o orçamento. Ao contrário de outros, ele não tinha pergaminhos familiares na advocacia, e «ia a todas, era impressionante», admira-se um desembargador.
Dias Loureiro, natural de Aguiar da Beira, advogado em Coimbra, foi durante 10 anos secretário-geral do PSD, ex-ministro da Administração Interna, banqueiro, homem de negócios com muita influência política dentro e fora do seu partido e também no mundo empresarial. "Falo mais com Bill Clinton agora do que quando estava no Governo", costumava dizer, com ar sério, após a sua retirada da vida política activa.(De um pasquim da Beira Alta)
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No início dos anos 80, os amigos de esquerda e extrema-esquerda tinham ficado para trás. Já militante do PSD, pela mão de Carlos Encarnação – que viria a ser seu secretário de Estado –, Dias Loureiro morava no segundo andar de um prédio comum, com as suas duas filhas e mulher, Fátima Varandas, de quem se divorciou há poucos anos. 
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Ele terá sido pescado para a política pelo líder do PSD/Coimbra, Alexandre Gouveia, em cujo escritório de advocacia trabalhou. «Num ápice, tornou-se adjunto do governador civil e nunca mais ninguém ouviu falar dele como advogado», conta outro juiz. Ângelo Correia, então ministro da Administração Interna, terá dado uma mãozinha na escolha.

Tudo pelo partido

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De dirigente do PSD, com Cavaco, a redactor de moções e estratego de vários líderes, o poder e a influência de Dias Loureiro no partido cresceu de forma avassaladora. Foi secretário-geral, numa época em que coleccionou sucessos, o dinheiro entrava com mais regularidade no partido «e o financiamento partidário não tinha, praticamente, controlo», explica um ex-titular daquele cargo. Mas o início foi complicado. 
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O comendador Salvador Pereira, emigrante português radicado na África do Sul desde 1964, homem de sucesso nos negócios, sobretudo na área da construção civil, garantiu à VISÃO ter, naquele período, «ajudado como podia. Sempre fui fiel ao PSD e paguei algumas coisas, na altura, as finanças do partido não estavam boas». Diz conhecer Cavaco «desde os tempos de ministro das Finanças» e foi mantendo contactos, em algumas ocasiões, várias das quais solenes. Já com o professor como primeiro-ministro, Dias Loureiro foi-lhe apresentado. 
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«É um bom homem. Ajudou-me num negócio relacionado com a hemodiálise que eu queria montar em Portugal, recomendou-me que fosse ter com o irmão dele para ser nosso advogado e tratar da papelada. Mas as coisas acabaram por não se concretizar», explica, precisando ter perdido «mais de 30 mil contos» só em contactos e burocracias. 


Amigo de José  Cesário, ex-secretário de Estado das Comunidades e antigo adjunto de Dias Loureiro na secretaria-geral do partido, Salvador Pereira garante ter estado sempre disponível para ajudar o PSD, nas suas vindas a Portugal e também na África do Sul. «Passou muita gente por cá e saíram daqui sempre bem agasalhados, nunca lhes faltou nada.» O empresário, natural da Feira, referiu à VISÃO ter-lhe sido igualmente proposta a compra da nova sede, «por mais de 100 mil contos. Pensei, mas disse que não».

No exercício do cargo, uma das marcas deixadas por Dias Loureiro foi precisamente a compra da actual sede do partido, por 100 mil contos, com a ajuda dos militantes.

Meu adorado Cavaco

 
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Dias Loureiro esteve com Cavaco desde o dia zero até à altura de arrumar as tralhas da campanha presidencial. As histórias de vida ajudaram: «Não nascemos em berço de oiro», esclareceu, um dia, o ex-gestor do BPN. O professor escolheu-o, em 1985, para secretário-geral, com as finanças do partido nas lonas e sem poder à vista. A vitória nas legislativas daquele ano mudaria tudo. A partir daí, Dias Loureiro foi o fiel servidor de um chefe que, segundo diz, não agia como chefe.
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Por ele, pelo PSD, fez de tudo. De hinos a discursos preparados madrugada dentro, com chávenas de chá pelo meio, para Cavaco ler depois. Partilharam a restrita intimidade do poder, férias, tacadas de golfe e almoços de família em São Bento. A empatia ajudou à influência do discípulo. 
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Segundo um ex-governante e actual deputado «laranja», Maria Cavaco Silva também «tinha a sua preferência», inclinando-se «para os jovens turcos [como Loureiro] e menos para os que falavam baixinho e davam conselhos avisados e moderados». Algo «altamente comentado nos círculos mais restritos». Laços nunca quebrados e extensivos a outras pessoas: no gabinete da primeira-dama, em Belém, trabalha hoje Diana Ulrich, antiga assessora de Dias Loureiro. 
 
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A gratidão de Cavaco também assumiu várias formas. Como Presidente da República, cortou a fita da fábrica da Inapal, em Palmela, elogiando o investimento da Sociedade Lusa de Negócios (SLN), na presença de Dias Loureiro. E até a inauguração do Estádio Municipal de Aguiar da Beira fez parte da agenda do PR. Na sua autobiografia, Cavaco revela não ter convidado Dias Loureiro para o Governo, em 1987, «pela simples razão de não poder prescindir dele no partido». Uma decisão recebida com desgosto. Já Loureiro diz ter recusado ser ministro, pois não queria acumular funções no partido com a tutela do SIS. Confusão de datas?


Luxos e prazeres caros

Quando se sai do Governo, precisa-se de ganhar dinheiro, é verdade. Mas passados cinco ou seis anos, tinha o suficiente para não ter de me preocupar com isso», explicou Dias Loureiro. Há dias, reafirmou à RTP que, em 1995, «não tinha dinheiro nenhum». Onze anos depois, a jornalista que entrou no seu gabinete a pretexto de uma entrevista para o Jornal de Negócios viu um espaço que exalava «bom-gosto e dinheiro», com quadros de Cargaleiro e Vieira da Silva. Em 2002, foi noticiado que pagava mais impostos do que o empresário Belmiro de Azevedo.
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O curioso é que, em 1991, Dias Loureiro já tinha comprado e remodelado uma vivenda, no Estoril, por 150 mil contos. A origem do dinheiro para a compra e obras foi questionada pelo Expresso, sobretudo porque a casa anterior era em Sete Rios, Lisboa, e custara  9 600 contos. 
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Poderia um vencimento modesto de governante e de advogado em part-time suportar tamanho luxo? «Quem não tem a consciência tranquila em relação ao dinheiro pode tentar escondê-lo. Quem tem a consciência tranquila pode fazer o que entender», disse, então, o detentor da pasta dos Assuntos Parlamentares. 
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E justificava a mudança para a casa da Linha de Cascais com uma herança e venda de propriedades em Coimbra. Avô e divorciado, vive actualmente na quinta Patiño, no Estoril, uma das zonas mais privilegiadas e caras do País (diz-se que cada metro quadrado de terreno custa 5 mil euros), onde residem pessoas da alta sociedade como Rocha Vieira, João Rendeiro, Diogo Vaz Guedes, Stanley Ho ou Stefano Saviotti.
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A Dias Loureiro não faltam, igualmente, gostos caros: há uns anos, comprou um Mercedes CL 65 AMG, prateado, com um potentíssimo motor V12. Trata-se de um modelo altamente exclusivo, o mais luxuoso da marca alemã. Em Portugal, não devem existir mais de dez unidades. 
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Custo? Cerca de 275 mil euros. Gasta uns «meros» 14,8 litros por cada 100 km percorridos. As motos também já o entusiasmaram. Preocupante, porém, foi a polémica à volta da sua carta de condução. Em 1995, então ministro da Administração Interna, foi noticiado que a licença havia sido aprovada pelo próprio director-geral de Viação… antes do exame, feito num quartel da GNR, com uma moto da corporação.
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Paixão, paixão, é a caça, sobretudo de perdizes. Começou aos 19 anos, nos tempos da faculdade, e, mais tarde, juntou-se a Proença de Carvalho e Carlos Barbosa, com quem detém um couto em Mértola. Foi ele que iniciou Cavaco na caça. Há quem assegure que já participou em caçadas milionárias, em África, daquelas que podem chegar a custar 100 mil euros. O próprio diz preferir aves. «Nada de caça grossa.»
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Após sair do Governo, Dias Loureiro iniciou-se no golfe e pratica-o normalmente, entre as sete e meia e as nove da manhã, perto de casa, no campo do Estoril. Até nas viagens de negócios, seja a Marrocos seja a Palma de Maiorca, aproveita para dar umas tacadas. «O golfe liberta a cabeça», explica. Também gosta de jogar póquer. Ou gostava, pelo menos. Sempre com os amigos e desde que não envolvesse muito dinheiro. Os prémios costumavam ter limites e raramente iam além dos cem contos.
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Dormindo com o inimigo
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Em termos comparativos, Dias Loureiro tem feito mais pela boa imagem do PS e de Sócrates do que Manuel Alegre. E já saiu em defesa do primeiro-ministro. «Se há coisa de que o Governo não pode ser acusado é de querer a todo o custo ganhar votos», afirmou. Censurou a liderança de Marques Mendes por fazer uso do caso da licenciatura do chefe do Governo e emocionou-se com
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O Menino de Oiro do PS, a biografia autorizada de Sócrates. Já na sequência dos episódios do BPN, Sócrates terá pedido ao PS para poupar nas críticas a Loureiro. Segundo o histórico socialista António Arnaut, Loureiro é dono da «tradicional irreverência coimbrã», ou seja, «dá-se bem com todos». É amigo de Jorge Coelho e também o foi do falecido dirigente Fausto Correia, que o considerou homem de honra «do poder e com poder». No Natal de 2000, editou um disco para amigos, com Almeida Santos.

Laços de ternura…
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Amigos há mais de 40 anos, Jorge Coelho e Dias Loureiro são praticamente da mesma terra. Tratam-se como irmãos. «Éramos uns brincalhões. Jogávamos futebol e comíamos pastéis de feijão numa casa, junto da escola», contou Coelho ao Jornal de Negócios, já este ano. «Passados 22 anos, reencontrámo-nos e estreitámos relações. Hoje, é um dos meus melhores amigos.» Coelho sucedeu a Loureiro na Administração Interna. 

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Durante oito anos alguns dos maiores segredos do País estiveram «guardados» por esta dupla. Loureiro foi uma das primeiras pessoas a saber que Coelho tinha um cancro. Coelho confirmou, entretanto, à VISÃO que «há uns cinco anos» pediu «um empréstimo pessoal de 100 mil euros» ao BPN, na altura mais complicada da sua vida. Possui também uma conta na instituição, num balcão de Lisboa. 
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«Já não devo nada e paguei tudo direitinho. Neste momento, sou um mero cliente e talvez dos piores.» Proença de Carvalho é outro amigo de Loureiro. Até já gravaram um CD. Mais a sério, Proença foi o advogado escolhido pelo BPN para processar a revista Exame, quando Loureiro se sentiu «incomodado» com as primeiras notícias sobre o banco, em 2001. Houve acordo e o caso foi enterrado.
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Com Aznar encontra-se de vez em quando, incluindo em sua casa. O genro do ex-chefe de Governo espanhol, Alejandro Agag, foi assessor do antigo ministro de Cavaco, no BPN. Dias Loureiro já jantou e jogou golfe com Bill Clinton.
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Com jornalistas, também nunca se deu mal. Baptista-Bastos, de quem Dias Loureiro foi testemunha, num processo em que o queixoso era Alberto João Jardim, é outro dos seus amigos: «Detestava-o e disse-lho quando o conheci. Até lhe falei no rosto sombrio que lhe conferia um ar sinistro.» BB ouvira-o, na rádio: «Ele possuía uma ampla informação política, económica, social e cultural do País. 
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E desenvolveu as suas ideias, associando-as com uma forte componente social-democrata, à maneira de Willy Brandt e de Olof Palme.» Vai daí, BB escreveu um artigo sobre isso e Loureiro telefonou-lhe de Nova Iorque. Foram-se encontrando. «Ajudou, desinteressadamente, muitas pessoas, entre as quais alguns nossos camaradas de Imprensa, que, neste momento, o ignoram ignobilmente», observa.
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Chamem a polícia
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O caso da carga policial na ponte 25 de Abril, em 1995, por causa da polémica das portagens marcou o fim do cavaquismo. Mais tarde, Dias Loureiro visitou e comprou alguns quadros do homem que ficou paraplégico, na sequência dos incidentes. 
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No Ministério da Administração Interna, entre 1991 e 1995, é recordado como o «ministro que mais perseguiu e aterrorizou os sindicalistas dentro da polícia», atesta Paulo Rodrigues, líder da Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP). Vários processos disciplinares foram instaurados e três líderes associativos foram expulsos. 
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Os processos acabariam arquivados, dois deles após a vitória socialista, em 1995. As superesquadras, a menina dos olhos do seu mandato, foram contestadas por populações e elementos da ASPP. «Havia instruções dadas às chefias para transmitirem aos agentes: ‘se não largares a ASPP, vais ter chatices’», conta Paulo Rodrigues. Mal-amado pelas tropas, foi admirado pelas chefias. Alguns oficiais recordam -no como «um dos ministros mais competentes», «atencioso e preocupado» com os subalternos.

Do segredo reza a história?

Dias Loureiro seguia com o «maior interesse» o trabalho e os resultados da actuação dos serviços de informação que tutelava, diz quem o acompanhou de perto nesse período. Mas as incompatibilidades com Ladeiro Monteiro – uma espécie de «pai» do SIS e seu director desde 1986 – começaram cedo. 
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O afastamento só aconteceria em 1994, na sequência da espionagem do SIS a dois magistrados do Ministério Público da Madeira. Para o seu lugar, Dias Loureiro nomearia o seu amigo Daniel Sanches, ao mesmo tempo que remodelaria, também, a chefia da secreta militar, entregando-a ao seu conterrâneo e também amigo Lencastre Bernardo.
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Se o SIS já andava em bolandas com insinuações de práticas a favor do Governo, com a entrada de Sanches as acusações subiriam de tom, dada a proximidade – «cumplicidade», referem dois magistrados – entre o ministro e o novo director. Dentro do SIS, o ambiente deteriora-se, sobretudo após alegadas instruções para vigiar e identificar dinamizadores de manifs e protestos contra o Governo. 
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Loureiro não se livra da fama de querer dossiês pormenorizados sobre figuras de vários quadrantes. «Muita gente lhe deve favores», atesta um magistrado ligado aos serviços de informações. Confrontado, reagiu sempre com indignados desmentidos.

Informação é poder

Em Fevereiro de 2001, poucos dias após ter sido nomeado administrador da SLN, Dias Loureiro convidou Daniel Sanches e Lencastre Bernardo para a holding do BPN. Ou seja, só dois dos maiores peritos nacionais em espionagem e informações. Segundo fonte judicial, eles «tiveram acesso aos mais valiosos segredos políticos, económicos e empresariais», enquanto estiveram à frente das secretas. 
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O procurador-geral-adjunto Daniel Sanches larga a chefia do DCIAP, a unidade de elite do MP. «A informação que levo não me vai ser útil», disse, porém, Daniel Sanches quando abraçou o mundo dos negócios. À época, como hoje, vários colegas não ficaram convencidos. Na SLN, o magistrado foi administrador da Plêiade Investimentos, da ServiPlex e da Vsegur (segurança privada).

A polémica do SIRESP

Foi também com a ajuda de Dias Loureiro que, em 2004, Daniel Sanches chegou a ministro, no Governo de Santana Lopes, com a tutela da Administração Interna. Três dias após a vitória de Sócrates, em 2005, estava o anterior Governo em mera gestão, Sanches adjudicou o negócio do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) a um consórcio liderado pela SLN, para a qual trabalhara entre 2001 e 2004. 
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O contrato deste sistema de comunicações entre as polícias era da ordem dos 540 milhões de euros. O Executivo PS renegociou novo contrato com a SLN, ficando o SIRESP por 485 milhões de euros.
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Ao contrário dos administradores das entidades do consórcio, todos constituídos arguidos por suspeitas de tráfico de influências e participação económica em negócio, Sanches não foi sequer chamado como testemunha ao inquérito, que acabaria arquivado pelo Ministério Público, em Março deste ano. Entretanto, o papel de Dias Loureiro foi amplamente questionado. 
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O ex--ministro justificou-se com o facto de presidir à Erickson, uma empresa concorrente da Motorola, parceira da SLN no negócio. Mas, fonte do caso SIRESP assegura que «a Motorola era, desde a altura de Loureiro no Governo, um grande fornecedor de material de comunicações ao MAI».

… e o caso OMNI

Em Dezembro de 2004, a compra de seis aviões Canadair para o combate aos incêndios florestais, decidida pelo Governo do PSD, constituiu mais um bom negócio para a SLN.  A OMNI, do grupo de Dias Loureiro, representante exclusiva em Portugal daquelas aeronaves, já era responsável pelo aluguer de aviões à Protecção Civil. 
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A decisão correspondeu a um contrato de 150 milhões de euros, assente num estudo pedido pelo MAI de Daniel Sanches a uma consultora, a Roland Berger. Pormenor relevante: a OMNI foi a única empresa do sector contactada no âmbito daquele estudo. Loureiro alegou desconhecimento de qualquer assunto relacionado com a OMNI. 
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A mudança de Governo acabaria por bloquear o negócio, mas a posição dominadora da SLN nesta área, e, em particular de Dias Loureiro, continuou sob suspeita. Em Setembro desse ano, Francisco Louçã acusou-o de promover um negócio assente na continuação dos incêndios. Loureiro apelidou o bloquista de terrorista político e anunciou que o ia processar. Ainda hoje Louçã aguarda a notificação…

Amizades das Arábias
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Em 2004, um livro editado em Espanha sobre o poder e a influência de Alejandro Agag, genro de Azna – Los PPijos – ligava Dias Loureiro a El-Assir, um libanês citado como «traficante de armas», que o ex-ministro convidou para o casamento da sua filha com o filho de Ferro Rodrigues, em Setembro de 2003. 
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Apesar de reconhecer a amizade com o árabe, Loureiro não gostou de ser associado a El-Assir, tendo garantido publicamente que iria impedir a utilização do seu nome em futuras edições da obra. «Até ao dia de hoje, nenhum advogado contactou connosco ou com a nossa editora para que o nome de Dias Loureiro seja suprimido do livro», esclareceu à  VISÃO Nacho Cardero, um dos autores. 
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Mas quem é, afinal, El-Assir? Influente em círculos do bloco central espanhol, em 1994 pediu ao Governo do PP cerca de 10 milhões de pesetas para intermediar um contrato de fornecimento de armas a Marrocos, através de Fundos de Apoio ao Desenvolvimento. 
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Além dos seus negócios de armas com o Egipto, a Somália e outros países, o árabe, cujos rendimentos circulam habitualmente por contas de diversos paraísos fiscais, foi relacionado com escândalos de enriquecimento ilícito e branqueamento de capitais, envolvendo governantes da América Latina. Dono de mansões e estâncias de Inverno espalhadas pelo mundo, El-Assir foi sócio das famílias Bush e Bin Laden, em vários negócios. 
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O saudita é citado nas hemerotecas como um dos maiores traficantes de armas do mundo. Por seu lado, El-Assir é amigo do Rei Juan Carlos, com quem já partilhou diversas caçadas e foi por seu intermédio que Dias Loureiro conheceu o monarca. Assir era, igualmente, próximo do Rei Hassan II, de Marrocos.

Neste país, Dias Loureiro foi administrador da REDAL, uma empresa de águas e energia eléctrica que acabaria na posse do grupo BPN, via Plêiade.
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A concessão, que resultou num investimento de 250 milhões de contos, à época, e deu muito dinheiro a ganhar a Loureiro, segundo versão do próprio, não teria sido possível sem a ajuda e a influência do seu amigo, o ministro do Interior de Marrocos, Driss Basri, governante que morreu exilado em Paris após 25 anos de poder e depois de ser afastado por Mohammed VI do Governo marroquino. 
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Este homem, que Dias Loureiro conheceu enquanto ministro da Administração Interna, com quem celebrou protocolos de Estado e visitava amiúde, foi processado por alegado genocídio de mais de 500 sarauis pelo juiz Baltazar Garzon, tendo deixado uma lista considerável – e em alguns casos, confessa – de tortura, assassínios, compra de votos e suborno de políticos. 
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As imprensas francesa e marroquina garantem que nenhum negócio se fazia em Marrocos sem a sua bênção. Basri, a «Alcachofra», chegou, inclusive, a ser citado como portador de umas malas de «generosas contribuições» do Rei Hassan II para a campanha do ex-Presidente francês, Jacques Chirac, em cujo Governo se encontrava outro conhecido vértice deste triângulo de amizades: Charles Pasqua, ex-ministro do Interior, actualmente a ser julgado no processo Angolagate por alegado envolvimento no tráfico de armas para Angola, nos anos noventa.


Epílogo... ou talvez não

Dias Loureiro diz, após serem conhecidas as primeiras notícias sobre o caso BPN, que tem uma honra a defender.  A sua versão é conhecida e pretende revelar o retrato de um homem que pouco ou nada sabia de comprometedor para o banco, apesar das suas funções na SLN, entre 2001 e 2005, onde ganhou, primeiro, 2 500 contos, e mais tarde 8 500 euros por mês «sem prémios de gestão». Já deu entrevistas sobre o tema, esclareceu o que queria, pediu para ir ao Parlamento. Afirma ter uma vida transparente. Admite que os contactos na política lhe facilitaram os negócios. E só quer uma coisa: «Que tudo se esclareça.»

* com Cesaltina Pinto, Sónia Sapage e Tiago Fernandes

ESTA É DE CABO DE ESQUADRA... QUEM SERÁ QUEM VAI COMPRAR O LIVRO?

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Biografia de Jorge Sampaio contada por José Pedro Castanheira



Helena Esteves
A vida política e pessoal de Jorge Sampaio é contada pelo jornalista José Pedro Castanheira numa biografia cujo primeiro volume é lançado esta tarde na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.