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quinta-feira, 6 de março de 2014

As capas dos jornais e as principais notícias de Sexta-feira, 7 de Março de 2014.



Capa do Correio da Manhã Correio da Manhã

Venezuela pede à Unasul que convoque um Conselho Presidencial
Vladimir Putin diz a Obama que não deve sacrificar relações por divergências
CNN impedida de emitir a partir da Crimeia
Venezuelanos realizaram 2.248 manifestações de protesto em fevereiro
Turista alemão perdido na Austrália sobreviveu a comer moscas
Ucrânia pede prisão de Viktor Ianukovich á Interpol
Candá dá 24 horas a nove soldados russos para abandonarem país


Capa do Público Público

Os novos desafios da Internet
Prisões: uma realidade esquecida
Cem pessoas festejaram na rua o referendo na Crimeia
Polícias exigem subsídio de risco, compensações para cortes e descongelamento das progressões na carreira
Cinco rostos do protesto
Bye bye, BBC Three
“Só não subimos porque não queremos”


Capa do Diário de Notícias Diário de Notícias

Suspeito de tentativa de homicídio em preventiva
Barco de pesca afunda-se ao largo de Sines
Carta a um pontapé
Copo meio cheio, escadaria meio vazia
Curiosidade é mote para visitas ao Eros Porto
Denunciar é fundamental para o trabalho da polícia
Guarda identificado na 'manif' usa pulseira eletrónica


Capa do Jornal de Notícias Jornal de Notícias

Oito pescadores salvos após naufrágio em Sines
Obama e Putin falam ao telefone durante uma hora
Jogos rendem 50 milhões ao Estado
Crimeia quer pertencer à Rússia
Andou 2700 km à boleia a fugir dos pais
Governo quer despedimento sem justa causa mais barato
Jovem suicida-se em "reality show"


Capa do i i

Sete em cada dez dizem que Portugal não deve fugir às suas dívidas
Centro Hospitalar do Algarve tem falta de 20 anestesiologistas
Quase metade dos portugueses defende "saída limpa"
Ex-deputado defende Rendeiro: "Demasiada informação confundiria investidores"
Infra-estruturas. Ministro da Economia reúne com PS amanhã às 11h30
Sindicatos querem que TC reveja constitucionalidade de cortes nos salários e pensões
João Oliveira acusa PS de estar sempre do outro lado da política alternativa


Capa do Diário Económico Diário Económico

Passos almoça com Merkel a 18 de Março para preparar pós-troika
Estado vende os últimos 11% da REN em bolsa
Liga de futebol perde patrocínio da Sagres
Polícias tentaram nova invasão das escadarias do Parlamento
José Eduardo Moniz está de regresso à TVI
UE segue Washington mas evita sanções económicas ao Kremlin
Seguradoras em Portugal vão ser alvo de testes de stress


Capa do Jornal Negócios Jornal Negócios

Parlamento ucraniano vai dissolver legislatura na Crimeia
Safeway aceita ser comprada pela Albertsons
As 10 acções em destaque na sessão de 6 de Março
Por que razão não estamos perante outra bolha nas tecnologias
Dez feridos e duas pessoas identificadas na manifestação das forças de segurança
Cabovisão muda estratégia e acaba com fidelização
Quem é Satoshi Nakamoto, alegado criador da bitcoin?


Capa do Oje Oje

Merck duplica lucro anual com cortes nos custos
Bosch investe na Rússia com 50 milhões de euros em nova fábrica
Deutsche Telekom anuncia regresso aos lucros
Lucro da Continental sem oscilações em 2013
ModaLisboa desfila este fim de semana com passerelle em cortiça
Torre de Palma Wine Hotel nas pegadas dos romanos
Starwood quer mais 60 hotéis na Europa até 2020


Capa do Destak Destak


Capa do A Bola A Bola

Presidentes reunidos em novo conselho
Câmara prepara ação judicial
Dois jogadores dão autógrafos antes do Sporting
Garay pode falhar Estoril
Expectativa por Shikabala
Jackson aponta ao Arouca
Ferdinand ajudou Boufhal a ter emprego. Saiba como…


Capa do Record Record

Balboa: «Marco Silva está pronto para um grande»
Triunfo na última visita a Olhão
Jogo 150 de Miguel Pedro
Extremos vão a jogo
Fernando é forte hipótese para os 23
Couceiro já abateu leões no Bonfim
Paulo Oliveira em recuperação


Capa do O Jogo O Jogo

É verdade, falhou este golo!
Zoro pensa deixar Grécia devido ao racismo
O primeiro golo: "Só demos as mãos"
Treinador do Crystal Palace proíbe "mergulhos"
Leixões oficializa Casquilha
Adán renova pelo Bétis até 2017
Estados Unidos defronta três seleções antes do Mundial

"OS BOYS, PARASITAS, NO NOSSO JARDIM"




O REGABOFE DA RAPAZIADA

COVILHÃ- DESVIO DE MAIS DE 714 MIL EUROS DA UE, AGORA O POVO PAGA?
proder desvio dinheiro ue
Sessão de esclarecimento PRODER.
 para distrair a audiência?
E que tal mais este esquema brilhante de ir ao pote dos contribuintes?
Pedem-se subsídios à UE ou ao estado, (isto é a gente a imaginar, que ninguém se ofenda, qualquer semelhança com a realidade, é pura coincidência)... depois utilizam-se, para comprar carros  e outros luxos pessoais, ou rechear contas offshore. Entretanto vem a fiscalização, descobre que nada do que estava planeado para aqueles subsídios está feito, portanto, exigem a devolução do subsidio... a quem? À câmara, claro, ao zé povinho...
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- A Câmara da Covilhã foi notificada, em Fevereiro, para pagar 714 mil 801 euros ao Programa de Desenvolvimento Rural – PRODER por valores disponibilizados, e nunca aplicados, para a electrificação e beneficiação de caminhos agrícolas.
Vítor Pereira diz “que isto é um caso de polícia” dado que os valores, pedidos pelo anterior executivo, e antecipados pelo PRODER, foram “indevidamente recebidos”.
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O Presidente da Câmara da Covilhã referiu que a autarquia recebeu dez ofícios a solicitar a devolução desse dinheiro ameaçando com execução fiscal caso a autarquia não devolva o montante em causa.(...)
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Verbas que foram pagas em diferentes datas desde Março de 2012 até 28 de Agosto de 2013 “vejam bem, já em cima da campanha eleitoral” referiu o autarca, acrescentando que no documento consta que “o município da Covilhã formalizou a desistência da operação em assunto, que foi aceite pela autoridade da gestão do PRODER”.
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Vítor Pereira denunciou que o anterior executivo não aplicou o dinheiro (714 mil 801 euros) na eletrificação e beneficiação de caminhos agrícolas, finalidade para o qual foi atribuído, “sabe-se lá para onde é que foi gasto, não sei onde foi gasto temos que descobrir onde foi gasto”. O presidente da Câmara da Covilhã sublinhou que a autarquia tem agora 30 dias para pagar os valores em causa, “sob pena de execução coerciva”. fonte
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- MAS HÁ MAIS... Este caso difere um pouco. Neste a obra avançou mas o dinheiro não chegou a quem fez a obra, ficou no bolso de alguém?
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A União de Freguesias de S. Pedro do Sul, Várzea e Baiões corre o risco de ter que devolver milhares de euros que a antiga junta de Várzea recebeu do PRODER (Programa de Desenvolvimento Regional) para fazer um caminho agrícola. O projeto foi executado mas a antiga autarquia não pagou a parte que lhe competia. Se não liquidar a verba em falta, a União das Freguesias pode agora ser obrigada a devolver em dobro o dinheiro que a ex-autarquia recebeu dos fundos comunitários para executar o projeto. A autarquia de S. Pedro do Sul reconhece o problema e garante que está a procurar uma solução (VFM). fonte
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A nossa agricultura deveria estar no auge??

- Em 2013, PRODER pagou mais de 60 Milhões de euros, em média, por mês. O conjunto das medidas florestais disponíveis no PRODER já permitiu aprovar mais de 4.140 projetos e atribuir um apoio PRODER global de mais de 355 Milhões de euros, alavancando um investimento total de 595 Milhões de euros.
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Globalmente, o PRODER já aprovou mais de 5.150 projetos de investimento na Agricultura e na Agroindústria, com um apoio global associado de cerca de 850 Milhões de euros, o qual viabiliza um investimento total superior a 2,7 mil Milhões de euros, que abrange, maioritariamente, os sectores da pecuária, hortofrutícolas, vinho e azeite. Veja mais dados, sobre esta fonte, que não pára de jorrar dinheiro, e que certamente não deve estar a ser investido onde deveria... fonte
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- Somos grandes produtores agrícolas, ou pelo menos grandes consumidores de subsídios? 
Onde estão as hortas, os latifúndios? Os empreendedores?
Veja as listas dos subsídios aprovados, até cansa, neste link e neste, aceda ás listas.Mas não se assuste, porque a estas listas listas de subsídios da UE ainda temos que somar as 125 páginas, com mais de 10 mil subsidiados, pelo Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, I. P. A nossa agricultura anda bem apoiada, e ninguém nota nada? Consulte aqui as listas...
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E não se enerve, pense apenas que está a contribuir, com os seus impostos, para subsidiar sabe Deus, quem.
Paulo Morais explica neste video como se distribui o dinheiro público pelos amigos, com amigos no parlamento. Ao minuto 4 refere mesmo o caso dos subsídios agrícolas.
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- O regabofe é grande, o dinheiro anda perdido nas mãos dos maiores sacanas de Portugal. Ex-presidente da Associação das Pequenas e Médias Empresas (PME Portugal), Joaquim da Rocha Cunha, mais a esposa Lurdes Mota Campos e Paulo Lima Peixoto, acusados de desviar 8,7 milhões.  Desviaram 8,7 milhões de euros em fundos comunitários, sendo que deste valor, mais de um milhão foi enviado para 60 offshore, um deles localizado nas Caraíbas, conta o Jornal de Notícias.
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De 11 milhões de euros dados por Bruxelas, no âmbito do Fundo Social Europeu, não foi justificado o gasto destes 8,7 milhões. (2008) fonte
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Convido ainda, a conhecer a gestora do PRODER, e a sua forma economizadora e minimalista de se vestir... Para haver subsídios há que poupar na roupa.

ARTIGO COMPLETO: http://apodrecetuga.blogspot.com/2014/03/covilha-pede-subsidio-agricola-e-nao-o.html#ixzz2vFPDoVYn

O VERDADEIRO FILME PORTUGUÊS DE FACA E ALGUIDAR


Mais três mortes a inflamar a violência política na Venezuela


 
A temida escalada da violência e desejado pelo presidente Nicolas Maduro parece estar ocorrendo nas últimas horas
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Ewald Scharfenberg Caracas 6 MAR 2014 - 21:20 CET45
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A escalada de violência, temida, política, com intervenções alimentadas pelo presidente venezuelano, Nicolas Maduro ,ocorreram durante o aniversário da morte do comandante Hugo Chávez parece estar ocorrendo nas últimas horas .
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Em Barquisimeto, capital do estado de Lara,o líder da oposição do partido Progressive Avançado, Hector Alzaul Planchart , morreu após ser baleado no peito. O incidente ocorreu em frente à sede do partido na cidade do centroccidente venezuelano . 
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Planchart ter-se-ia deslocado à noite à sede do seu partido, quando foi interceptado por duas pessoas que viajam montados numa motocicleta e dispararam nele. Não se sabe se foi um crime ou tentativa de agressão comum.  
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A Venezuela é um dos países com as mais altas taxas de criminalidade no mundo. Durante 2013 , foram registrados no país , segundo uma fonte , 12.000 mortes , de acordo com estimativas oficiais, mas de acordo com as organizações não governamentais as mortes cifraram-se em cerca de 25.000.
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Na quinta-feira de manhã, em um episódio confuso e ainda em desenvolvimento no Los Ruices leste de Caracas , duas pessoas foram baleadas . De acordo com relatórios preliminares , as vítimas eram um sargento da Guarda Nacional, Agnes Lopez , e um " motorizado " moto -crew - Jose Cantillo .
O bairro de Los Ruices tornou-se um dos pontos quentes dos protestos e fechamentos guarimbas - rua desde February 12 são realizados em diferentes cidades venezuelanas . Nas imediações é a sede , fortemente vigiado , Venezolana de Television , a principal televisão estatal. O difusor oficial canal serve propaganda do governo de forma incansável e ataques contra líderes da oposição . Portanto, como um desprezo especial sobre adversários linhas e setores da classe média, que é um reduto Los Ruices .

Desejo de Salgueiro Maia...



"POLÍCIAS EM LUTA CONTRA MISÉRIA DE VIDA QUE LEVAM"

RTP com Lusa
A manifestação que levou até à escadaria fronteira ao parlamento vários milhares de agentes das várias polícias terminou oficialmente por volta das 21h40, após apelo à desmobilização emitido pelas organizações sindicais contestantes. Uma delegação tinha acabado de ser recebida pela presidente da Assembleia da República. Durante a noite voltaram a repetir-se momentos de grande tensão entre os manifestantes e o contingente policial que lhes vedava a passagem.

"SE A FOME FOSSE FARTURA....REBENTAVAM PELAS COSTURAS..."





Sónia Silva/ Guilherme Terra
Foram mais de 400 mil os portugueses que deixaram de receber subsídio de desemprego em janeiro. Os dados da Segurança Social mostram também que mais de 50 mil portugueses perderam o Rendimento Social de Inserção entre janeiro do ano passado e o mesmo mês deste ano.

O ESTADO DEIXOU DE SER PESSOA DE BEM....



Porque eu NÃO vou à Copa do Mundo !!!




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PORTUGAL: "PAÍS DE PENHORADOS"


Fisco desencadeou mais de dois milhões de penhoras em 2013


Fisco desencadeou mais de dois milhões de penhoras em 2013
legenda da imagem
Dado Ruvic, Reuters

O número de penhoras ordenadas pela Autoridade Tributária estabeleceu, em 2013, um máximo de oito anos, excedendo os dois milhões. É o que mostra o balanço do próprio Ministério das Finanças, conhecido esta quinta-feira. 

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Créditos, contas bancárias, salários e veículos formam a maior fatia dos alvos do fisco, que, pela voz do secretário de Estado Paulo Núncio, ouvido pela agência Lusa, diz ter a “preocupação” de “penhorar primeiro os bens ou rendimentos mais líquidos”. Para “último lugar” ficam os bens imóveis.

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Os veículos, com 884.162 penhoras, os créditos, com 611.941, as contas bancárias e outros produtos, com 576.751, e os salários, com 532.042, foram os ativos mais visados pelas ordens emitidas no ano passado pela Autoridade Tributária. Seguiram-se os imóveis e as rendas, com 123.588 e 33.824, respetivamente.Em 2013 o fisco remeteu um total de 9.159.442 mensagens electrónicas a contribuintes em dívida. As Finanças afirmam que “o impacto destas comunicações informais é bastante elevado”.

. O balanço do Ministério das Finanças aponta para uma clara tendência de crescimento. Em 2011 haviam sido contabilizadas 927,6 mil ordens de penhora. No ano seguinte dar-se-ia uma expansão para 1,6 milhões e, em 2013, o número foi de 2.070.315.
As penhoras de bens são decretadas “findo o prazo de 30 dias posteriores à citação do devedor sem ter sido efetuado o pagamento”, tendo em conta critérios de proporcionalidade, prioridade e adequação. É só na ausência de rendas, contas, créditos ou depósitos bancários que o fisco avança para a penhora de salários.
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Em declarações recolhidas pela Lusa, o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais quis sublinhar que “existe uma preocupação por parte da administração fiscal de penhorar primeiro os bens ou rendimentos mais líquidos, deixando a penhora de imóveis para último lugar”.
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“Apesar de a lei determinar que, em regra, um terço do valor do vencimento mensal é suscetível de penhora, a AT [Autoridade Tributária] tem instruções precisas para apenas ordenar a penhora de um sexto do rendimento dos contribuintes vencedores”, ainda segundo Paulo Núncio. O que, assinalou o mesmo governante, “corresponde a metade do valor regra previsto na lei” e acaba por “salvaguardar os contribuintes com rendimentos mais baixos”. Mais de 79 mil reversões
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Outro dos dados salientados pelo Ministério das Finanças diz respeito aos processos de responsabilização de administradores de empresas por dívidas ao fisco, as chamadas reversões. Também neste caso foi atingido um valor máximo no ano passado: mais de 79 mil.
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Em 2000 foram determinadas somente cinco reversões. Onze anos depois eram já 32.434 e, em 2012, 68.034. Em 2013 o número de reversões foi de 79.668.
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Nos termos da lei, uma vez apurada a responsabilidade de administradores pela insuficiência do património empresarial, as dívidas são-lhes imputadas.
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Remonta a outubro de 2012 a criação de um “sistema operacional que desencadeia a responsabilização daqueles administradores e gerentes quando seja detetada a insuficiência de bens penhoráveis do devedor originário”.

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""...,uma familia,uma angústia, um desespero, um sofrimento silencioso."




A Frase



Não se pode falar em sinais de recuperação económica, quando essa recuperação não se traduz em recuperação social. Mais importante que o regresso de Portugal aos mercados é o regresso dos portugueses a níveis de sobrevivência com dignidade. As estatísticas e os números são importantes, mas por detrás de cada percentagem está um rosto, uma história de vida, uma família, uma angústia, um desespero, um sofrimento silencioso.
José António Pinto, Público

JOSÉ MILHAZES ESCREVEU


“Pequenos” Pormenores Que Podem Ajudar a Explicar a Crise Entre a Rússia e UE



A situação na Crimeia continua estagnada, o que joga a favor de Moscovo, que vai, a pouco e pouco, pela calada, ocupando aquela península ucraniana. Serguei Choigu, ministro da Defesa da Rússia, diz que na Crimeia não há soldados russos, mas deve pensar que as pessoas são idiotas. Pois caso contrário, essas pessoas chamam-lhe mentiroso.
 
Entretanto, gostaria de chamar a atenção para um pormenor que, pode não ser visível à primeira vista, mas é importante neste jogo de xadrez político-militar entre a Rússia, de um lado, e a UE, outras estruturas europeias, por exemplo, a OCSE, e EUA de outro: a origem social e política dos políticos russos e europeus. Deixo de lado os dos EUA, porque não conheço suficientemente bem a situação.
 
Do lado russo, é cada vez mais evidente o domínio avassalador dos “siloviki”, antigos ou actuais agentes dos serviços secretos russos, e dos seus descendentes nas estruturas do poder político e económico. Ao realizar a política externa actual, Putin, outro ex-KGB, materializa o sonho de desforra desse clã político. Depois da queda da URSS, esse foi um dos sectores da sociedade que mais humilhado foi, porque era o mais odiado pelos soviéticos. 
 
Porém, como os novos poderes na Rússia não fizeram uma lustração, nem tomaram qualquer atitude especial contra esses agentes, estes rapidamente voltaram a sentir a sua força, principalmente depois da chegada ao poder de Vladimir Putin.
 
Com os pais dos ex-KGB´s, vieram os filhos e netos, com a mesma vontade de desforra pela citada humilhação. Dmitri Rogozin, actual vice-primeiro-ministro do governo russo, encarregado pelo complexo militar-industrial, é um dos exemplos mais notórios da nova geração. Nacionalista, xenófobo, não esconde que o principal objectivo é modernizar o complexo militar-industrial russo de forma a fazer com que este país, como ele diz, “seja respeitado” a nível internacional, ou seja, recupere o poderio do passado soviético.
 
Claro que tudo isso é feito a pretexto dos “interesses nacionais”, “da defesa dos cidadãos russos estejam onde estejam”, etc. A justificação da sua política externa está bem patente na Crimeia: se os outros fazem (os EUA no Iraque, Afeganistão, Líbia), nós também podemos fazer, tanto mais na “zona de interesses particularmente vitais” da Rússia no antigo espaço soviético.
 
Do outro lado da “barricada”, temos a União Europeia, a OSCE e outras organizações europeias, principalmente depois do alargamento da UE ao Leste da Europa. Durante este processo, nessas estruturas ingressaram numerosos funcionários e dirigentes originários de países do antigo campo socialista: Polónia, Hungria, Roménia, Lituânia, Estónia, etc.
 
Ora este sangue novo injectado na decrépita Europa é indispensável, mas trouxe um problema. Muitos desses funcionários e políticos do Leste da Europa guiam-se, nas suas actividades, também pelo ajuste de contas com a Rússia, que, às vezes, têm raízes seculares. E é inútil dizer-lhes que a Rússia já não é a URSS, que o comunismo foi enterrado, que o actual povo russo não é culpado dos crimes do regime estalinista, como o povo alemão não é culpado dos crimes do nazismo.
 
É minha modesta opinião, que o choque entre estes dois campos é um dos factores que tem vindo a dificultar o diálogo entre a Rússia e a União Europeia.
 
O diálogo foi incomparavelmente mais fácil nos anos de 1990, quando as forças pró-ocidentais na Rússia estavam no poder e os siloviki ainda não tinham recuperado o poder. Mas, as forças pró-ocidentais russas mostraram ser o que foram: a criação de um regime oligárquico, e a UE e, principalmente os EUA, aproveitaram a onda para fazer irresponsáveis experiências sociais e políticas na Rússia, não se coibindo de humilhar os russos. Afinal, segundo a grande “onda intelectual” então na moda, a História acabou e a vitória da democracia e dos valores ocidentais estava no papo.
 
O resultado está à vista e, por isso, é urgente a cooperação das forças que na UE e na Rússia defendem uma política mais sensata, equilibrada e calma. Afinal, todos somos europeus e o que nos une é mais do que o que nos desune.


P.S. Isto é uma opinião para discussão, não é uma verdade absoluta.
 
 
José Milhazes
05 de Março de 2014